filosofia no bosque da literatura

Pois então, conversemos… di e com vergindo

O Tempo

9 09UTC junho 09UTC 2011

O tempo é um montão de tempinho e tempão

O montão também é tempo

O tempão é furo no tempo

O tempinho é um tampão

O tempo é contratempo

Repouso e movimento

Nuvem, vento e chão

O tempo é sofrimento

Barulho e isolamento

O tempo é solidão

O tempo é fonte de lamento

Pai do esquecimento

Madrasta da razão

 O tempo

É o sublime não saber-se tempo

O tempo é revelação.

 

                                        Magno Luiz da Costa Oliveira.

 

 

 

Arquivado em: poesia I Comentários (0)

Zenão

13 13UTC março 13UTC 2011

Não entendi aquela conversa.

Eu e o pássaro geômetra.

Perguntei por que ele dava tantas voltas no céu

Tantas piruetas.

- Não sabes?

De um movimento circular podes tirar uma linha reta.

- Porque não voa em linha reta então?

- Para que?

- Chegaria mais rápido.

Ele riu…

-Chegar?

Entre um ponto e outro existem infinitos pontos

Nunca chegamos.

Por isso voamos e vocês andam.

Nós aprendemos a nos jogar.

 

                           Magno Luiz.

 

Arquivado em: poesia I Comentários (1)

Mesa de bar no passeio público.

11 11UTC março 11UTC 2011

Transpassa flecha enferrujada

Tetânifica esse corpo nada.

Copo d’água

Bebe teu copo cálice.

Beijo boca carminçada

Aceita teu altar a face.

Quem deixou a torneira aberta?

Foi-se toda água beleza.

Dormi com os olhos abertos

Foi-se embora minha tristeza.

Fiquei só. Só eu e a morada.

Ah. Ombeu mostra qual a paliçada

Que se esconde o arco-íris.

Eu só quero uma cor

Para que o belo saiba o que é a falta.

 

 

                                       Magno Luiz.

Arquivado em: poesia I Comentários (0)

Abraço

8 08UTC novembro 08UTC 2010

Sei que você do outro lado
Também anda a olhar para o céu.
Pensa, constantemente, como é pequenininho
Diante desse mundão.
Sei que olha para o chão
(como também olho)
E pensa na morte das mariposas.
Anda passo a passo devagar
Enquanto a alma corre num mundico à frente.
Toma a toalha, enxuga o rosto.
Pois sei que cansas de rir
Para disfarçar,
Não gosta mais desse mundo.
Conheço teus olhos miúdos,
Esticados e semicerrados.
Vem magno moribundo
Pois diante de tanto tumulto
Aprendi a abraçar.

Magno Luiz da Costa Oliveira.

Arquivado em: poesia I Comentários (1)

Ela quer uma poesia

5 05UTC novembro 05UTC 2010

 

Ela quer uma poesia

Uma daquelas do tempo que eu não a tinha.

Não a tinha não enquanto minha

Só enquanto motivo de felicidade.

Agora feliz que sou

Ela quer uma poesia

Uma daquelas que diga sobre as ânsias

De quem quer amor

Agora que amo

Ela quer uma poesia

Uma daquelas que peça uma chance

Agora, que ela é mais que possibilidade

Ela quer uma poesia

Mas o que eu diria

Se agora, já com ela, sou a liberdade?

Ela quer uma poesia

Uma daquelas de flores e primaveras

Justo hoje que somos as estações.

Ela quer uma poesia

Uma daquelas que tenha rima

Mas que harmonia usaria

Senão a prática de nosso

Amor?

                                                                                        Magno Luiz da Costa Oliveira

Arquivado em: poesia I Comentários (2)

24 24UTC outubro 24UTC 2010

                                                                                                

Confissão

 

Tomas tens embaixo a linha inteira

———————————————————.

Coloca tua mão nessa ferida

Vem ser cúmplice dessa confissão.

Faça fabór.

Dei-me por luxúria, sem fabianismo.

Hoje cuspo. Quero que me entenda.

Coloca tua mão nessa secreção.

Vês?

———————————————————-.

———————————————————-.

Duas linhas passageiras.

Amei como se amam todos os ratinhos.

Não, isso não é uma vidalita.

Quero que me julgues,

Mas quero que coloque teus pés

Nesse lamaçal.

Pisa. Tens a terra inteira.

————————————————————-.

Insisto.

Andei por todas as vielas

Meretriz de sonhos e albergues

Cai no tempo, tornei-me favela.

Fui suor.

Fui dor crônica.

Fui negro culpado

Avesso.

Fui triste

Deram-me esse direito.

Não reclamei.

Levantei alegre

Bonito e firme. Hoje ganharia todas as guerras.

Comeram-me. Comeram tudo que eu tinha.

E tudo dei do que sobrou. Só para ser tudo.

Ser vaco.

Envelheci nessa cinestesia

E por cortesia xinguei bem alto:

- Se foda mensageiro. Enfia tua mão no rabo e roda.

Dói?

Foi nessa dor que cresci primeiro.

Revelei-me. Em?

Tomas a linha. Coloca o tempo do meu cativeiro.

—————————————————————.

Mas saiba forasteiro. Não carrego culpa.

Confesso-te minhas lamúrias

Para ser seu companheiro.

 

                                             Magno Luiz da Costa Oliveira.

 

 

 

 

Arquivado em: poesia I Comentários (2)

COM DOR

                                                    

Com dor

 

Meu coração condoreiro

Abre tuas asas

Tomas o mundo inteiro.

Quem te abraça amor primeiro?

Já que tudo vê, quem te afaga

Se é de ti próprio prisioneiro?

Se minhas palavras não tocam

Aquela pele o que farei

Para ser seu mensageiro?

 

                                       Magno Luiz da Costa Oliveira.

Arquivado em: poesia I Comentários (0)

MEU VIRA-LATA

MEU VIRA-LATA

Amo meu vira-lata

Seu cheiro, latido, pêlo.

Nele todos os cachorros

Adoro sua sem-vergonhice sem vergonha

De deitar-se com todas e todos.

De misturar-se.

Ser esse rio de identidades

Que afugenta o puro.

Eu meu vira-lata

Late todos os latidos

Abraça todas as lixeiras

Pula todas as cercas

Nunca fica só.

Pois é tantos

Que é o mundo em pêlo.

 

                                Magno Luiz da Costa Oliveira

 

 

Arquivado em: poesia I Comentários (2)

Balada do Sentimento

6 06UTC setembro 06UTC 2010

 

Nasceu como quem não nasce

Caiu das entranhas da mãe

Como se da prisão se jogasse.

Pouco comia lá dentro

Seguiu assim cá fora

Perdido nas ruas do centro.

Pedia um pão achava um não

E de mais um não roubava um pão

Ou pegava do chão.

Dormia na casa do tempo

Comia na mesa da esmola

Bebia as lágrimas do vento.

Então se afastou do mundo

Desistiu da empreitada

Caindo em vão como um moribundo.

Quem o via o que sentia?

Aquela imagem já mais nada dizia

Estava ali mais um vagabundo.

A pessoa seguia com a vida vazia

Enquanto jazia vazia a barriga

De mais um homem no mundo.

 

                               Magno Luiz da Costa Oliveira.

 

 

Arquivado em: poesia I Comentários (0)

21 21UTC junho 21UTC 2010

Dentro de cada ponto de vista

Quantas vistas existem?

De uma época ou de uma opinião impertinente

De um amigo indiferente, “neutro”.

Quantos pontos de vista,

Quantos pontos de ônibus existem

Nessa avenida?

Pois hoje,

Tomo partido,

Sim…Senhores!!!

Hoje escrevo para alguém

Atiro em alguém

Estou de um lado da barricada.

Ah! Tudo bem

Pois não me chamem de artista…

Não sou poeta não é mesmo?

Que se danem então analistas de merda.

Ontem me espantei com um bendito sabão neutro

Ele limpou minha roupa popular.

Então minha arte não é mais presentinho

Não estamos em tempos de festa.

Minha arte é denúncia.

Minha arte denuncia.

Denuncia.

Arquivado em: poesia I Comentários (3)
Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://bosqueano.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.