
Confissão
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Tomas tens embaixo a linha inteira
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Coloca tua mão nessa ferida
Vem ser cúmplice dessa confissão.
Faça fabór.
Dei-me por luxúria, sem fabianismo.
Hoje cuspo. Quero que me entenda.
Coloca tua mão nessa secreção.
Vês?
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Duas linhas passageiras.
Amei como se amam todos os ratinhos.
Não, isso não é uma vidalita.
Quero que me julgues,
Mas quero que coloque teus pés
Nesse lamaçal.
Pisa. Tens a terra inteira.
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Insisto.
Andei por todas as vielas
Meretriz de sonhos e albergues
Cai no tempo, tornei-me favela.
Fui suor.
Fui dor crônica.
Fui negro culpado
Avesso.
Fui triste
Deram-me esse direito.
Não reclamei.
Levantei alegre
Bonito e firme. Hoje ganharia todas as guerras.
Comeram-me. Comeram tudo que eu tinha.
E tudo dei do que sobrou. Só para ser tudo.
Ser vaco.
Envelheci nessa cinestesia
E por cortesia xinguei bem alto:
- Se foda mensageiro. Enfia tua mão no rabo e roda.
Dói?
Foi nessa dor que cresci primeiro.
Revelei-me. Em?
Tomas a linha. Coloca o tempo do meu cativeiro.
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Mas saiba forasteiro. Não carrego culpa.
Confesso-te minhas lamúrias
Para ser seu companheiro.
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                                            Magno Luiz da Costa Oliveira.
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